5 de Outubro, 2023
Horário: 17:30
Local: Europarque
Cidade: Santa Maria da Feira

Ballet Contemporâneo do Norte

O Ballet Contemporâneo do Norte (BCN), com 22 anos de trajetória, é uma renomada companhia de dança contemporânea. Sob a direção artística de Susana Otero, o BCN é financiado pelo Governo de Portugal/Secretaria de Estado da Cultura (Direção Geral das Artes) e apoiado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira/Feira Viva. Iniciado em 1995 como um grupo amador de estudantes da escola Conchita Ramirez, em Espinho, o BCN se consolidou nos anos seguintes. A partir de 1997, obteve subsídios do Ministério da Cultura, passando a receber apoio anual e, depois, bianual a partir de 1998.

Elisa Worm fundou o BCN em Estarreja, impulsionada pela busca por formação estética, educação e sensibilização de novos públicos, além de aproveitar recursos artísticos em uma região carente de dança. Em 1998, o BCN assinou um protocolo com a Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa para oferecer estágios a alunos qualificados.

Em 2007, devido ao desinteresse financeiro da autarquia, o BCN mudou-se para Santa Maria da Feira, onde continua suas atividades. Desde 2011, sob a direção artística de Susana Otero, o BCN focou em combater a precariedade no setor e garantir melhores condições de trabalho. A partir de 2017, desenvolveu um programa anual de curadoria, convidando criadores para definirem o programa artístico da companhia.

O BCN é um espaço de criação, experimentação, diálogo e intercâmbio de ideias, com ênfase na dança. Sob essa visão, estimula a criação coreográfica interna e busca descentralizar a produção cultural. A companhia apresentou-se em diversas cidades em Portugal e internacionalmente, promovendo também formação de públicos através do Serviço Educativo.

 

Orquestra Filarmónica Portuguesa

Fundada em maio de 2016 por Osvaldo Ferreira e Augusto Trindade, a Orquestra Filarmónica Portuguesa (OFP) é amplamente reconhecida, pelo público e pela crítica, como uma das melhores orquestras sinfónicas nacionais. Os elevados padrões de qualidade e de exigência impressos desde a sua génese, levam-na a integrar um conjunto de músicos de elevado nível técnico e artístico, como sejam instrumentistas premiados em concursos nacionais e internacionais, ex-integrantes da Orquestra Jovem da União Europeia e músicos estrangeiros residentes em Portugal. Ao juntarem-se a este projeto diferenciador e inovador, estes músicos são elementos-chave numa orquestra que é uma verdadeira referência e um símbolo de qualidade.

A Orquestra Filarmónica Portuguesa produz concertos sinfónicos, ópera e promove ligações a outros géneros artísticos, numa procura constante do desenvolvimento de eventos e espetáculos diferenciadores e únicos, construindo, desta forma, a reputação de ser uma orquestra ímpar no panorama musical português, pela sua versatilidade, ecletismo e visão de futuro.

Com uma reputada rede de parceiros de prestígio global que inclui a Harrison Parrott, Camerata RCO (membros da Royal Concertgebouw Orchestra), Berliner Camerata e Brass Academy Alicante, entre muitos outros, tem sido presença assídua nas principais salas de espetáculo e Festivais portugueses, contando com a participação de prestigiados solistas internacionais, de entre os quais se destacam Eldbjørg Hemsing, Kristina Miller, Mayuko Kamio, Miroslav Kultyshev, Pavel Gomziakov, Pavel Milyukov, Ray Chen, Soyoung Yoon ou Yang Liu. Paralelamente, tem vindo a apostar em talentosos intérpretes Portugueses tais como Ana Beatriz Ferreira, Cristiana Oliveira, João Bettencourt da Câmara, Horácio Ferreira, Luísa Tender, Marco Alves dos Santos, Raúl da Costa ou Vasco Dantas.

A Orquestra Filarmónica Portuguesa é a orquestra selecionada e convidada pela UNESCO para a realização de um concerto em Paris, na sede desta organização mundial, integrado no programa de celebrações do Dia Internacional da Língua Portuguesa em 2022.

O concerto realizado no dia 2 de maio de 2021 no CCB, dedicado à música e lingua portuguesa, integrado na agenda oficial da Presidência Portuguesa da União Europeia (PPUE), foi gravado e transmitido pela RTP e Antena 2, tendo merecido os mais rasgados elogios por parte do público e da crítica especializada, com especial destaque para a do Dr. Rui Vieira Nery, que muito honrou a OFP.

A OFP é líder do projeto “Sounds of Change” que é apoiado pela União Europeia através do Programa Europa Criativa e envolve 4 outros relevantes parceiros internacionais da Alemanha, Espanha, Sérvia e Eslovénia.

A Orquestra Filarmónica Portuguesa conta com a Direção Artística do maestro Osvaldo Ferreira, um dos mais representativos chefes de orquestra nacionais da atualidade.

 

Osvaldo Ferreira, maestro

Na qualidade de diretor convidado, Osvaldo Ferreira apresentou-se, recentemente, com a Orquestra Filarmónica de Sã o Petersburgo, na Rússia, Orquestra Gulbenkian, em Lisboa, Orquestra Sinfónica de Nuremberga e Orquestra da Radio Renana, na Alemanha e ainda com a Orquestra Sinfónica da Venezuela, entre outras.

Osvaldo Ferreira é o diretor artístico da Orquestra Filarmónica Portuguesa.

Em Portugal, foi diretor artístico da Orquestra do Algarve e do Festival Internacional de Música do Algarve. Gravou vários CDs com obras de autores portugueses para a editora Numérica e um CD duplo com sinfonias de Mozart. Com a Orquestra do Algarve, apresentou-se em Viena, Bruxelas, Lisboa, Sevilha, Porto, Curitiba e Londres. Foi o diretor musical da Oficina de Música de Curitiba.

No seu percurso destaca-se ainda o seu trabalho à frente de importantes orquestras:
Filarmónica de São Petersburgo, Sinfónica de Roma, Orquestra Gulbenkian, Orquestra de Praga, Filarmónica de Lodz, Filarmónica da Silésia, Sinfónica de Nuremberga, Filarmónica da Rádio Renana, Orquestra Nacional do Porto, Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos, Orquestra do Festival de Mú sica de Aspen (E.U.A.) e Orquestra Nacional da Venezuela, entre outras.

Realizou um mestrado em direção de orquestra em Chicago e uma pós-graduação no Conservatório de São Petersburgo, na classe de Ilya Mussin. Foi laureado em 1999 no Concurso Sergei Prokofiev, na Rússia. Recebeu o “Fellowship” do Festival de Mú sica de Aspen, onde frequentou a American Conductors Academy. Foi assistente do maestro Claudio Abbado em Salzburgo e Berlin. Estudou ainda com Jorma Panula e David Zinman, foi bolseiro do Ministério da Cultura de Portugal e da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Programa

Bailado Alba, de Nuno Guedes de Campos

 

Sinopse 

“Alba” é um projeto que cruza as linguagens da dança contemporânea, da música clássica e da literatura, juntando duas estruturas de Santa Maria da Feira (o Ballet Contemporâneo do Norte e a Orquestra Filarmónica Portuguesa) num espetáculo multidisciplinar. Em 2023, um ano depois da comemoração do 50.o aniversário da primeira publicação das “Novas Cartas Portuguesas” de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa (1972), e um ano antes da comemoração do 50.o aniversário da Revolução de Abril (1974), o projeto propõe-se a questionar, de uma forma ao mesmo tempo lúdica e crítica, os significados políticos, históricos e sociais, mas também poéticos e filosóficos, da palavra ‘liberdade’. Partindo da frase “A liberdade é a persistência do riso de quem aguentá-lo pode sem esgar”, que encontramos na ‘primeira carta última e provavelmente muito comprida e sem nexo’ das Três Marias (5.9.1971), pretendemos indagar que liberdade é esta que hoje ostentamos, como a conquistámos (ou quem a conquistou por nó s), e que desafios se nos impõem para a sua manutenção. Precisaremos de lutar por ela, hoje como antes? E no depois, será livre o futuro que imaginamos? Neste espetáculo, avançaremos com o conceito de liberdade enquanto trabalho-em-progresso, interligando-o com as ideias de resistência, revolução, comemoração, participação e cidadania.

Sobre o título: “Alba” é um género de poesia provençal ou cantiga de amigo, que descreve a aproximação do amanhecer depois do encontro entre dois amantes. É também essa hora mágica antes do amanhecer, quando se abre espaço ao transcendente e ao simbólico, ao mágico e ao sublime/subliminar; um espaço de liberdade, imune aos constrangimentos de todos os sistemas hegemónicos e opressores; e um tempo de contemplação e imaginação, onde a fábula do futuro é sonhada e planeada. “Alba”, o espetáculo, irá sugerir um encontro de corpos (os que tocam a música e os que a dançam, como se fossem um só), corpos capazes de anunciar a alvorada donde irrompe a revolução de abril, o dia inicial inteiro e limpo pensado por Sophia, e ao mesmo tempo o grito de libertação, que rompe com todos os espartilhos, e que trespassa as “Novas Cartas”.

A partir destes pressupostos, construiremos um espetáculo-poema, desenhando corpos em suspenso que se movimentam ao som de melodias premonitórias, heróicas e explosivas. Uma representação dessas horas que antecedem o dia e em que tudo parece ser possível, incluindo a mudança.