5 de Outubro, 2022
Horário: 17:30
Local: Museu do Papel
Cidade: Paços de Brandão

Programa:

Pequena Suite para Quinteto de Sopro
I. Romance
Marcos Romão (1917 – 2000)

Scherzo para instrumentos de sopro
Ângelo Pestana (1919 – 2002)

Quinteto de Sopros
I. Allegro
Filipe Sousa (1927 – 2006)

Lembrança – Scherzo para Quinteto de Sopros
Adácio Pestana (1925 – 2004)

Quinteto para instrumentistas de Sopro
IV. Presto
José Santos Pinto (1915 – 2014)

“Scherzo” para Quinteto de Sopro – a Luiz Boulton
Carlos Saraiva (1910 – 2001)

 

Dados Biográficos do Grupo

O Quinteto de Sopros do Vale é um grupo de música de câmara que surgiu na Banda Marcial do Vale composto por Sara Silva (flauta), Andreia Pereira (oboé), Mariana Cardoso (clarinete), Cristiano Pinho (trompa) e Beatriz Cunha (fagote). O grupo juntou-se ao projeto de Doutoramento desenvolvido pela investigadora Margarida Cardoso, membro do projeto “A nossa música, o nosso mundo: bandas filarmónicas, associações musicais e comunidades locais”, desenvolvido no INET-md (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança) da Universidade de Aveiro.

A investigação referida estuda a atividade do Quinteto Nacional de Sopro (grupo pertencente à antiga Emissora Nacional) e os seus elementos, para quem foram compostos vários quintetos de sopros como, por exemplo os escritos por Carlos Saraiva, Joly Braga Santos ou José dos Santos Pinto.

Em parceria, o Quinteto de Sopros do Vale e a Etnomusicóloga Margarida Cardoso criaram o primeiro projeto “Descobrir a História e a Música dos Coretos de Santa Maria da Feira”, em setembro de 2020, apoiado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, e posteriormente o projeto “Circum Navegação da Música Portuguesa do séc. XX”, que relaciona a Primeira Viagem de Circum Navegação de Fernão de Magalhães com os compositores portugueses acima referidos.

Até ao momento, realizaram diversos concertos em vários pontos do país, entre eles Guarda, Vila do Conde, Covilhã, Aveiro, Santa Maria da Feira e, em novembro de 2021, tocaram em direto para a Rádio Antena 2. O objetivo principal é divulgar a música composta por compositores portugueses para quinteto de sopros, não só em Portugal, mas também no estrangeiro, divulgando o CD “Músicos Ocultos: ao Quinteto Nacional de Sopro“.

 

Notas de Programa:

O CD “Músicos Ocultos: ao Quinteto Nacional de Sopro” é uma homenagem a este grupo pertencente à antiga Emissora Nacional e com atividade entre 1950 e 1986. O grupo foi inicialmente formado pelo flautista Luíz Boulton (1908 – 1998), o oboísta José dos Santos Pinto (1915-2014), o clarinetista Carlos Saraiva (1917-2000), o fagotista Ângelo Pestana (1919-2002) e o trompista Adácio Pestana (1925-2004). Grande parte do repertório composto no século XX foi-lhes dedicado ou foi escrito tendo em conta as suas capacidades performativas e alguns deles aproveitaram também para escrever obras para o Quinteto de que faziam parte.

A Petite Suite para instrumentos de sopro foi escrita por Marcos Romão (1927-2000), clarinetista, chefe de banda e professor de clarinete no Conservatório Nacional entre 1957 e os anos de 1980. Professor de vários clarinetistas profissionais da atualidade, Marcos destacou-se essencialmente como maestro da Banda da Armada Portuguesa, mas a sua faceta de compositor está presente nas obras que compõem o seu arquivo, situado no Museu Municipal de Loures. Entre as composições arquivadas encontra-se esta obra dedicada a Luiz Boulton, fundador e flautista do Quinteto Nacional de Sopro.

O Quinteto de Sopros de Filipe de Sousa (1927-2006) foi composto em Paris em 1957, dedicado ao Quinteto Nacional de Sopro. A 1ª audição da obra foi na Emissora Nacional em 1973 pelo Quinteto Nacional de Sopro, à qual se seguirão várias outras interpretações.

Adácio Pestana foi o trompista do Quinteto Nacional de Sopro, durante quase todo o período de atividade do grupo. Fez parte Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional e da Banda da Guarda Nacional Republicana, ensinando inúmeros trompistas portugueses. Concluiu o Curso Superior de Trompa no Conservatório Nacional e ainda outro em Zurique com o Professor Werner Speth em 1962 que, perante as suas capacidades, considerou que ele poderia voltar a Portugal, pois “não tinha mais nada que lhe pudesse ensinar”.

Esta Lembrança: Scherzo para Quinteto de Sopros é um dos três quintetos de sopro que escreveu e que, juntamente com inúmeras outras obras, fazem parte do seu espólio. As suas obras foram inteiramente editadas e integram o seu espólio, recentemente doado à Banda Musical de Gouviães.

Oboísta do grupo, José dos Santos Pinto, estudou em Paris, onde se diplomou em cinco cursos, Fuga, Música de Câmara, Composição, Oboé e Direção de Orquestra. Passado alguns anos retornou a Nice para se diplomar em Direção de Orquestra e Composição, tendo sempre presente o objetivo de ser compositor e maestro. No seu espólio, doado ao Município de Mangualde e à Sociedade Filarmónica Lobelhense, encontram-se obras para orquestra, banda filarmónica ou militar, instrumento com acompanhamento de piano e ainda para música de câmara. Neste último grupo de obras, encontra-se o Quinteto para instrumentos de sopro, que também chegou aos palcos na atualidade através deste projeto.

O Scherzo para instrumentos de sopro foi composto por Carlos Saraiva, clarinetista do Quinteto Nacional de Sopro e da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Para além de intérprete e compositor, dirigiu a Banda da Guarda Nacional Republicana (1960-1961), a Banda da Polícia do Estado da Índia (1961-62), a Banda do Regimento de Infantaria de Luanda (1963-1965) e ainda a Orquestra de Salão de Luanda (1963-65), testemunhando na primeira pessoa a Guerra Colonial.

A obra foi dedicada a Luíz Boulton, tal como a Petite Suite de Marcos Romão, e foi frequentemente apresentada pelo grupo na rádio ao longo dos anos de 1970.

Este concerto é a primeira apresentação do CD e, para além da presença de alguns familiares, colegas e alunos dos compositores, contará com a narração do Maestro António Vitorino d’Almeida.