O Festival integra 13 propostas distintas e percorre 11 auditórios e salas informais do Município. Todas as iniciativas estarão disponíveis mediante entrada livre ou a preços que não ultrapassam os cinco euros

O Festival Internacional de Música de Paços de Brandão (FIMUV) está de regresso a Santa Maria da Feira, de 1 a 30 de outubro, com uma oferta diversificada.

Respeitando as cautelas impostas pela pandemia da Covid-19, o FIMUV, após várias edições com foco no virtuosismo instrumental, este ano opta por explorar diferentes registos vocais e aborda-os em formatos que visam a democratização do conceito de Cultura.

Promovido pela associação CiRAC, com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, a 44.ª edição do Festival Internacional de Música de Paços de Brandão integrará 13 propostas distintas, percorrendo 11 auditórios e salas informais do Município.

Para o diretor artístico do festival, Augusto Trindade, a programação foi delineada tendo em conta o presente contexto social, ainda dominado pela Covid-19, mas visando já a gradual retoma da normalidade. “Ao longo de vários anos, no FIMUV escutámos sobretudo música e formações instrumentais, encontrando no seu cartaz grandes orquestras e solistas, todos com percursos e carreiras notáveis nacional e internacionalmente. Em 2021, a voz é a nossa grande aposta”, refere o violinista e pedagogo, acrescentando: “É uma escolha natural, não só porque esse é o mais incrível instrumento musical do planeta, mas também pelo seu indissociável appeal humano e emotivo, numa altura em que todos se ressentem de demasiados meses de distanciamento social e do autodomínio na afetuosidade física”.

Por seu turno, o presidente do CiRAC, Nuno Reis, sublinha que as condicionantes impostas ao convívio social revelaram-se um desafio exigente. “São já quase dois anos de uma atividade cheia de incertezas, em que só os mais audazes foram capazes de se adaptar e de manter o seu espírito livre”, diz, considerando, de seguida, que o “CiRAC tem sido capaz de o fazer”, sendo o FIMUV “prova disso”. “Apesar de todas as limitações, quer sociais quer financeiras, o festival segue ininterruptamente para a sua 44.ª edição anual e fá-lo sem ceder na qualidade, mostrando que tem vindo sempre a evoluir e a merecer a notoriedade que lhe reconhecem no meio artístico”, acrescenta Nuno Reis.

Da ópera à eletrónica

‘FIMUV pelo Mundo’ é o primeiro espetáculo do Festival, em streaming. A 1 de outubro, Dia Mundial da Música, dará a ouvir, a partir de França, valores emergentes da música de câmara: o duo de pianistas MusicOrba, composto pelo português Ricardo Vieira e pelo japonês Tomohiro Hatta – já atuaram em salas como o Tribeca Film Center de Nova Iorque e o Olympia de Paris.

Para 2 de outubro está previsto, no Cineteatro António Lamoso, a ‘Iniciação’ do Ballet Contemporâneo do Norte, que resulta de um trabalho de ativação de “práticas de resistência coletiva” por 16 artistas.

Uma semana depois, o palco do auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira será tomado pelo recital de Benedict Kloeckner e Beatrice Berrut, que Augusto Trindade descreve como “dois extraordinários intérpretes”, exímios na interpretação de Schumann, Brahms e Cesar Franck.

Sucedem-se então quatro outros espetáculos: um recital por jovens laureados nos concursos internacionais Paços’ Premium e Cidade do Fundão, a 13 de outubro, na Academia de Música de Paços de Brandão; a performance ‘Dez séculos de história’, em que o Coro do CiRAC irá abordar temas simbólicos “dos primórdios do organum até ao século XX”, a 15 de outubro, no auditório da associação; o concerto ‘Textures and Lines’, em que a percussão do coletivo Drumming combina com a eletrónica da dupla Joana Gama e Luís Fernandes, a 16 de outubro, no Cineteatro António Lamoso; e o recital com os vencedores do Prémio Jovens Músicos 2020, a 17 de outubro, novamente na Academia de Paços de Brandão.

Livros, filosofia africana e folk

Também na Academia de Música de Paços de Brandão, a 22 de outubro, tem lugar a apresentação do livro ‘ABC do Violino’, um compêndio de exercícios musicais reunidos pelo músico e docente Tiago Afonso, para cativar jovens executantes com uma linguagem acessível e imagens apelativas. Na mesma data segue-se a opereta de um único ato ‘Rita’, escrita no auge do Romantismo pelo italiano Gaetano Donizetti e levada à cena no auditório do CiRAC, sob a direção artística de Luís Rendas Pereira.

Seguem-se os últimos quatro espetáculos do 44.º FIMUV, a começar pelo concerto de Badi Assad, que o diretor artístico do festival define como “uma virtuosa violonista, cantora, malabarista vocal e compositora”. Com 18 discos gravados por editoras como a Deutsche Grammophon e atuações em mais de 40 países, a artista que atua, a 23 de outubro, no Cineteatro António Lamoso foi incluída pela revista Rolling Stone na lista dos 70 maiores mestres da história do violão e da guitarra brasileira.

Um dia depois será o Grande Auditório do Europarque a receber a Orquestra Filarmónica Portuguesa num concerto com a soprano alemã Mojca Erdmann. O espetáculo será dirigido pelo maestro Osvaldo Ferreira e dará a conhecer a “sonoridade límpida e beleza imaculada” que Augusto Trindade reconhece à solista, “exímia na interpretação de um repertório que cobre desde o estilo barroco até à música contemporânea”.

De 25 a 28 de outubro realizar-se-ão cinco performances do mesmo projeto pela Academia de Líderes Ubuntu, com artistas do Instituto Padre António Vieira que levarão música e filosofia africana a duas escolas, duas CERCI e à ala pediátrica do Hospital S. Sebastião.

O FIMUV encerra a 30 de outubro, no palco do CiRAC, com o concerto da banda espanhola Rarefolk, que há 30 anos se vem baseando em raízes musicais irlandesas para as fundir com sonoridades de diversos locais do mundo, harmonizando-os num estilo multicultural de identidades partilhadas.

Todas as iniciativas estarão disponíveis mediante entrada livre ou a preços que não ultrapassam os cinco euros.

FONTE:
https://www.correiodafeira.pt/pt/content/155-cultura?artigo=24865-santa-maria-da-feira-recebe-a-edicao-do-fimuv